Aventura Sênior – Trilha até o Morro de São Jerônimo.

Subimos no dia 18 de dezembro de 2009 para Chapada dos Guimarães/MT, com o objetivo de conquistarmos o topo do Morro de São Jerônimo (ponto mais alto do Mato Grosso, a 1.870 metros acima do nível do mar). Estávamos eu, os Chefes Escoteiros André e Roosevelt (pai), além dos escoteiros Roosevelt (filho), Ricardo, Hallan e a escoteira Renata (11 anos), com dois amigos “patas tenras” (novatos que acampam pela primeira vez) Renato e Felipe, amigos do Roosevelt Filho.

Deixamos os carros na entrada, à beira da rodovia Emanuel Pinheiro, e pegamos a trilha já mais de 21:30 horas. Lá pelas 22:30 horas, fizemos uma parada para uma sopa rápida, sentados no chão, no meio da estrada de terra que demarca o Parque Nacional de um lado e o restante da região do outro. Chegamos à primeira base, na entrada da Casa de Pedra, onde fomos dormir às 1:45 da manhã (fotos 01 e 02).

Acordamos antes do sol nascer e andamos 5:30 horas até chegamos na segunda base de acampamento, onde passamos o restante do dia descansando (não é para menos… o André levava até panela de pressão na mochila). De longe, à nossa frente, admiramos o Morro, magnífico (foto 03), e à noite vimos Cuiabá ao longe, pequenininha (foto 04). Acordamos às 05:00 da manhã, tomamos café, providenciamos água e iniciamos a caminhada assim que clareou.

Andamos cerca de 1 km no caminho coberto de areia (areia?) e entramos num atalho à esquerda, apenas o tempo suficiente para tirarmos foto junto a um arco de pedra próximo (fotos 05 e 06). Voltamos à trilha e entramos na mata fechada (foto 07), abrindo caminho à facão. De tão densa que é a vegetação, não há correntes de vento lá dentro, e o clima é quente e úmido. No meio do caminho, ainda subimos um platô para apreciar a vista (fotos 08 a 10). Ao pé do Morro, a primeira subida já assusta, de tão íngreme, com pedras soltas… o risco aumenta, e a adrenalina também (fotos 11 e 12). Vencida essa etapa, a seguinte começava com um paredão de pedra não muito alto, mas um erro poderia ser até fatal, caso escorregasse: queda de uns 4 a 5 metros (fotos 13 a 15, embora nelas não pareça tão alto).

Achei que tivesse chegado ao limite. Parte do grupo continua e fico junto com o Chefe Roosevelt (ambos exaustos), no alto da trilha de pedras e beirando um precipício (foto 19).

Penso melhor e me atrevo a escalar o paredão (foto 16). Entreguei o bastão escoteiro para o Ch. Roosevelt e tirei o tênis esquerdo, deixando a prótese apenas com a lâmina para assim poder encaixá-la em pontos de apoio menores, onde não caberia um pé de verdade. Depois de vencer o paredão, dou a volta na plataforma e encontro a terceira barreira, e a mais difícil: uma rocha vertical em forma de taça, chamada “Chaminé”, com poucos pontos de apoio (foto 17). O grupo volta para me ajudar (foto 18), mas era impossível e liberei a turma para prosseguir, ficando sozinho, entre a base anterior (onde está o Chefe Roosevelt) e o topo do Morro, uns 200 metros à frente.

Passados alguns minutos estudando o terreno em volta da pedra, achei uma fenda, onde dava para tentar a técnica de escalada que usa paredes opostas (sobe-se firmando as pernas na parede da frente e comprimindo as costas na parede atrás). Resolvo tentar e consigo vencer o primeiro platô da “Chaminé”. Dividi a escalada em dois trechos, e usando a mesma técnica consegui escalar a segunda metade (mesmo caminho pelo qual voltei, como nas fotos 20 a 22).

Estou pisando no alto da “Chaminé”! Sinto tanta adrenalina nas veias que tremo, e meu coração palpita forte. Nem posso continuar a caminhada respirando assim, acelerado, senão a resistência acaba e o corpo reclamaria desistência, descanso. De ânimo renovado, sigo rápido atrás do grupo e, ao avistá-lo de longe, grito: “Quem é o escoteiro, senão aquele que anda só?”. O grupo dá vivas e vem ao meu encontro. Sinto-me como se tivesse acabado de fazer o gol da vitória na Copa, aos 45 do segundo tempo e contra a Argentina.

Às 10:50 conseguimos chegar ao Morro… vista fantástica, que compensa a trilha íngreme e até o risco de vida em pelo menos 3 pontos críticos… Cada um está exultante de satisfação, dizendo seus impropérios, desabafos e gritos aos quatro ventos. Uns se sentem “vingados” de fatos passados, outros agradecem o objetivo alcançado, e há quem nem consegue expressar palavras (foto 23).

Bebemos água diretamente da mina que existe lá em cima (!), e também achamos alguns “tesouros”, como fósseis de conchas e corais. Vemos a barraca do acampamento lá ao longe, pequenina, e a trilha de areia distante, como um fiapo no meio do mato. Sentimos o fato do Ch. Roosevelt não estar ali conhecendo essa vista conosco, mas ao mesmo tempo estamos perplexos com a bravura da Renata – até hoje, a única menina que se sabe tenha subido o Morro.

Voltamos mais rápido porque uma chuva se aproxima (foto 24) e a trilha de pedras, do tipo arenito, fica perigosa (escorregadia e quebradiça). Almoçamos bolacha, suco, ovo cozido, laranja e uma mistura de aveia, creme de leite e chocolate, o que nos dá energia de sobra para desmontar o acampamento e voltar. Passamos novamente pela Casa de Pedra (foto 25) e chegamos ao ponto de partida, à beira da estrada, por volta das 16:30 (foto 26).

Chego em casa já de noite, e meu braço está inchado até o dorso da mão. Também estou bastante queimado (muito calor, mesmo com o tempo nublado) e com uma bolha enorme no pé. Joguei meu velho tênis fora, de tanto que o esfolei nas pedras. São 23:40 e vou dormir, pensando no melhor que podemos extrair da trilha – a mais difícil que já enfrentei: nos tornar orgulhosos de nós mesmos.

De um senhor de 63 anos à sua filha de 11, todos estamos mais fortes. E quando bater a saudade, teremos nas dezenas de fotos e vídeos que fizemos um alento para nossos corações guerreiros, pelo resto de tempo que vivermos… (foto 27).

Cuiabá/MT, 21 de dezembro de 2009, 20:26 p.m.

 

 


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